Tradicionalmente, há quatro argumentos básicos usados para comprovar a existência de Deus.
Estes argumentos são chamados de: argumentos cosmológicos, teleológicos, morais e ontológicos. Vamos CHAMAR ESSES de argumentos de criação (cosmos significa criação), argumentos de projeto (telos significa propósito), argumentos da lei moral, e argumentos do ser (ontos significa ser).
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I- O Argumento a partir do Projeto
O argumento do projeto, assim como os outros argumentos que serão mencionados sucintamente, argumenta a partir de algum aspecto específico da criação, para chegar ao criador. Os argumentos partem do projeto complexo para chegar a um projetista inteligente.
1. Todos os projetos complexos implicam um projetista.
2. O universo (especialmente a vida) constitui um projeto complexo.
3. Logo, o universo tem um projetista.


Nós conhecemos a primeira premissa por meio da experiência. Toda vez que nos deparamos com um projeto complexo, sabemos, por experiência prévia, que este projeto surgiu da mente de um projetista. Relógios implicam relojoeiros; edifícios implicam arquitetos; pinturas implicam artistas; e mensagens codificadas implicam um remetente inteligente. Esta é sempre a nossa expectativa porque vemos isso acontecendo vez após vez. Esta é outra maneira de afirmar o princípio da causalidade.

Além disso, quanto melhor e maior for o projeto, melhor e maior será o projetista. Uma fábrica reflete um projeto complexo. Da mesma forma, mil macacos sentados diante de máquinas de escrever jamais teriam escrito Hamlet. Shakespeare, no entanto, o fez na primeira tentativa. Quanto mais complexo for o projeto, maior a inteligência necessária para produzi-lo.

1. A História do Argumento a partir do Projeto
“Pois possuíste o meu interior; entreteceste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe
muito bem” (Sl 139.13-14). No final da Idade Média, Tomás de Aquino (século XIII) apresentou uma forma do argumento a partir
do projeto na quinta de suas famosas “Cinco Vias” para provar a existência de Deus.

A forma mais famosa desse argumento veio de William Paley (1743-1805), que sustentou a ideia de que se alguém encontrar um relógio num campo vazio, essa pessoa chegará à conclusão correta de que um relojoeiro fez o relógio por causa do projeto que se constata, de forma óbvia. O mesmo deve ser dito sobre o projeto encontrado na natureza. O cético David Hume chegou a declarar este argumento em sua obra Diálogos sobre a Religião Natural, assim como fizeram muitos outros autores. Hoje, o argumento é visível no movimento do design inteligente de William Dembski e Stephen Meyers.

Devemos mencionar aqui que há uma diferença entre padrões simples e projetos complexos. Flocos de neve ou cristais de quartzo têm padrões simples que são repetidos várias vezes, mas têm causas completamente naturais. Por outro lado, não encontraríamos frases escritas em rochas, a menos que algum ser inteligente as tivessem escrito. Isso não acontece de modo natural.

A diferença é que os flocos de neve e cristais têm um simples padrão repetido. Mas a linguagem comunica informações complexas, e não apenas a mesma coisa repetidamente. Informações complexas ocorrem quando condições limitadoras são impostas aos elementos naturais.
Assim, quando uma caçadora de rochas vê pequenas pedras redondas num riacho, isso não a surpreende porque a erosão natural arredonda as pedras dessa maneira. Porém, quando ela encontra uma ponta de flecha, ela percebe que algum ser inteligente alterou deliberadamente a forma natural da rocha. Ela vê uma complexidade que não pode ser explicada pelas forças naturais. O projeto do qual estamos falando neste argumento é um projeto complexo, e não um padrão simples; quanto mais complexo é o projeto, maior a inteligência necessária para produzi-lo. É aí que a próxima premissa entra em cena. O projeto que vemos no universo é complexo. O universo é um sistema muito complexo de
forças que trabalham em conjunto para o benefício mútuo do todo.

A vida é um desenvolvimento muito complexo. Até mesmo o ateu Richard Dawkins, em seu livro Relojoeiro Cego, admite que a informação do DNA contida em uma única célula animal equivale a mil conjuntos de enciclopédias!

Nenhuma pessoa que visse uma enciclopédia no meio de uma floresta hesitaria em acreditar que a obra teve uma causa inteligente; é por isso que, quando encontramos uma criatura viva composta de milhões de células à base de DNA, devemos assumir que essa criatura tem uma causa inteligente. Ainda mais claro é o fato de algumas dessas criaturas vivas serem inteligentes. Até mesmo Carl Sagan admite:


O conteúdo de informação do cérebro humano, expresso em bits, é provavelmente comparável ao número total de conexões entre os neurônios — aproximadamente cem trilhões, 10 a 14 bits de energia. Se fosse escrita em inglês, por exemplo, esta informação encheria cerca de vinte milhões de livros — um número que se equipara à quantidade de livros das maiores bibliotecas do mundo. O equivalente a vinte milhões de livros está dentro da cabeça de cada um de nós. O cérebro é um lugar muito grande num espaço muito pequeno. A neuroquímica do cérebro é incrivelmente ativa, constituindo um circuito mais maravilhoso do que o circuito de qualquer máquina planejada por seres humanos.

Alguns se opuseram a este argumento com base na probabilidade. Eles afirmam que qualquer combinação pode acontecer quando os dados são lançados. No entanto, isso não é muito convincente por várias razões.

Em primeiro lugar, o argumento do projeto não é um argumento que se baseia no acaso, e sim no projeto — devido à observação repetida, nós sabemos que este projeto tem uma causa inteligente.


Em segundo lugar, a ciência se baseia na observação repetida, não no acaso. Então, essa objeção ao argumento do projeto não é científica. Finalmente, ainda que houvesse um argumento baseado na probabilidade, as chances de haver um projetista seriam muito maiores. Um cientista calculou que as chances de um organismo unicelular surgir por puro acaso, seria de uma em 10 elevado à 40.0000a potência. As chances de um ser humano infinitamente mais complexo surgir por acaso são muito altas para calcular! A única conclusão razoável é que existe um grande projetista por trás do projeto do mundo.
 
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